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  • CQDM #05: A Sala de Espera do Dentista

    Feche os olhos e imagine comigo: você entra no recinto. Todos os presentes fixam o olhar em você. Você procura um lugar pra se sentar. Sobre a mesa de centro, várias revistas. Você pega uma pra tentar se distrair. Em vão. Suas mãos suam. No velho relógio da parede o tempo não passa… e você até agradece por isso. Tensão. De repente um ruído agudo invade sua mente, seguido de um gemido abafado. Os sons se misturam e se repetem. Minutos depois, o silêncio. Abre-se a porta à sua frente. De lá sai alguém que você não conhece, mas, por um instante, vocês parecem ligados por uma certa empatia. Seus olhares se cruzam rapidamente. O estranho vai embora. Uma voz feminina diz o seu nome em tom de convocação. É a sua vez. E agora?

     

    A sala de espera do dentista costuma ser a antessala do inferno um lugar “pouco confortável”,  independentemente de quantos sofás fofinhos possua. É ali que você fica aguardando para ser atendido, coisa que você odeia. E a espera por algo que não gostamos costuma ser tão desprazerosa quanto o “algo”.

    Já falei aqui na coluna Coisas Que Dão Medo de vários tratamentos e instrumentos odontológicos que costumam assustar os pacientes. O motorzinho ganha fácil, seguido incansavelmente pela anestesia. Mas comecei a perceber, observando os tweets alheios, que a sala de espera do dentista é uma espécie de “materialização do medo coletivo”. O lugar onde os medos se encontram. E com direito a trilha sonora…

    É na sala de espera que os pacientes trocam informações assustadoras entre si. Aquele tratamento de canal da tia que doeu horrores, o dia em que o vizinho precisou arrancar um dente… e pode notar: a maioria das histórias aconteceram com outras pessoas. E sabe por que as histórias mais cabulosas sempre acontecem com os outros? Porque essas são as mais legais de se contar! É a “Síndrome da Lenda Urbana”. E dá pra colocar algumas “impressões pessoais” nas narrativas… fica show. 😀

    Claro que muitas pessoas já tiveram experiências ruins na cadeira do dentista. Seria hipocrisia não admitir isso. Os motivos que levam à essa incômoda verdade, não são, necessariamente, culpa exclusiva do doutor, aquele tirano. Tem gente que sente vergonha de mostrar os dentes para o dentista… e adia a consulta “pra sempre”. Tem gente que, por medo ou por algum outro motivo ($$$), foge do dentista até a coisa ficar feia… aí a chance de uma experiência ruim aumenta bastante.

    Enquanto os pacientes esperam para serem atendidos, normalmente são “agraciados” com os sons que vêm de dentro do consultório. A alta-rotação, um gemido, uma criança chorando. Isso colabora fortemente para o medo coletivo, pois a imaginação tem asas…. Nessas horas, o que nos vêm à mente são as imagens que a mídia nos oferece o tempo todo: torturas no melhor estilo Jogos Mortais. E elas estão na TV, na Internet, nas séries, nos filmes…

    O vídeo abaixo cai como uma luva para ilustrar a tensão transmitida pela sala de espera do dentista. Minha secretária (tão boazinha ela!) cedeu gentilmente seus direitos de imagem pra que você sinta na pele a emoção de esperar pela sua vez… 🙂


    Ideia roubada do Ortoblog (valeu, Leo e Neto!) 🙂
     
    Se o medo de dentista for uma realidade pra você, um conselho: quando for ao consultório odontológico leve consigo apenas o seu próprio medo, não o dos outros. Já é mais do que suficiente :). E procure desprender-se de imagens assustadoras e experiências ruins alheias. Procure um profissional no qual você confie e construa a sua própria experiência a respeito. A chance de sucesso é grande. 🙂